Biblioteca L. C. Nogueira
 

Desde o momento em que fui solicitada a escrever um texto sobre a
Biblioteca Luiz Carlos Nogueira para o site do Fórum do Campo
Lacaniano – São Paulo, me veio à mente a biblioteca de Alexandria.
Nem conseguia me livrar dela (e por que deveria?) nem escrever
outra coisa. Rendo-me então a essa referência. Criada 50 anos depois
da cidade fundada por Alexandre o Grande, discípulo de Aristóteles,
que lhe deu seu nome, ela constituiu durante aproximadamente sete
séculos o maior acervo de literatura, filosofia, história, religião e ciência da Antiguidade registrado em suportes variados. Quantos governantes nesses sete séculos? Conta-se que um deles, Ptolomeu o Benfeitor, morto
em 221 a.C., mandava apreender livros trazidos por estrangeiros
para ser copiados por escribas e depois devolvidos acompanhados de
um prêmio de 15 talentos, numa atitude de apreço pelo conhecimento e
pelo saber. Mas, infelizmente, a história registra episódios de proibição, seqüestro e queima de livros, às vezes também de seus autores, numa clara pretensão de promulgar um non scilicet, você não pode saber.
Vejo agora que a biblioteca de Alexandria se articula com a Biblioteca Luiz Carlos Nogueira pelo que remete àquele que lhe deu o nome, pois em suas aulas, seminários, conferências, Luiz Carlos Nogueira
lembrava o quanto o “não quero saber nada disso” do neurótico exige paciência e manejos para que ele acate o scilicet que a experiência
analítica lhe propicia e oferece.

Sílmia Sobreira