O dispositivo do passe foi proposto por Jacques Lacan no texto intitulado "Proposição de 9 de outubro de 1967, sobre o psicanalista da Escola". O dispositivo propõe submeter a exame o ponto de finitude de um percurso de uma análise, aquele que permite a virada de analisante à analista com a emergência do desejo de analista.
Este dispositivo está referido à tese prínceps: em seu ato "o psicanalista não se autoriza senão por si mesmo", e desde então, "nomear qualquer um analista, ninguém pode fazer". E por isto, precisamente, que se faz necessário um controle, já que a tese "não implica, entretanto que não importa quem seja analista".
O dispositivo está construído sobre o modelo do chiste. O analisante, nomeado passante, que pensa ter chegado ao fim de sua questão de analisante, se oferece para dar testemunho disso. Ele o faz diante dos passadores. Estes, por sua vez, são designados por seu analista que, em função do momento de sua análise, os considerarão aptos para escutar isso que atesta da virada à analista no testemunho do passante.
Estes dois passadores transmitem o que compreenderam do testemunho do passante diante de um júri, que se pronuncia, autentificando eventualmente o testemunho com o título de A.E., Analista da Escola.
Na EPFCL, Escola Internacional, a função do júri é assumida pelos chamados Cartéis do passe. Estes Cartéis compõem o Colégio Internacional de Garantia, são multinacionais e de duração transitória.
Textos de Referência
- Proposição de 9 de outubro de 1967, sobre o psicanalista da Escola
- Nota Italiana
- Introdução à edição inglesa do Seminário XI
Cartéis do Passe 2008-2010
Os cartéis estão constituídos por dois anos.
Cartel 1
Jacques Adam, Sol Aparicio, Martine Mnenés (France), José Monseny (España) Antonio Quinet (Brasil), Colette Soler (France)
Cartel 2
Sidi Askofaré, Michel Bousseyroux, Danièle Silvestre, (France), Clotilde Pascuale (España) et Trinidada de Lander (AL-Norte)
Cartel 3
Jean Pierre Drapier, Jean-Jacques Gorog, Colette Sepel (France), Maria Eugenia Lisman (España), Florencia Farias (AL-Sur)
A garantia
A EPFCL retoma dois títulos de garantia definidos por Lacan na Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola.
O título de Analista da Escola (A.E.)
Sanciona a confiança feita ao praticante que deu suficientemente suas provas para que a Escola o garanta frente à comunidade exterior. É outorgado às pessoas que, tendo se engajado no dispositivo do passe, testemunharam suficientemente sobre os avanços de sua própria análise para serem julgados aptos a contribuírem com o desenvolvimento dos problemas cruciais da psicanálise.
O título de Analista Membro da Escola (A.M.E.) .
A Escola concede em sua iniciativa aos analistas que tenham dado suas provas como praticantes.
As propostas ao título de A.M.E são apresentadas localmente pelas Comissões locais de Escola, que as transmitem a uma Comissão Internacional de Garantia. Este, composto no seio do Colégio Internacional de Garantia, estabelece a cada dois anos a lista dos novos A.M.E.
Comissão Internacional de Habilitação dos AME
No segundo ano de seu mandato, o CIG compõe, dentre seus membros, a Comissão Internacional de Habilitação.
|