ATIVIDADES DA BIBLIOTECA

Fórum do Campo Lacaniano-SP

“... Chinolope tinha conseguido fotografar a morte. A morte estava ali: não no morto, nem no matador. A morte estava na cara do barbeiro que a viu.” ( Galeano, Eduardo A linguagem da arte in; O Livro dos Abraços)
 

A palavra liberta. Lacan “a escrita, a letra, está no real, e o significante, no simbólico” onde está a violência, portanto, a palavra, a escrita deve advir.
A Atividade da Biblioteca neste ano abre espaço para aqueles que de alguma maneira testemunharam ou sofreram eventos traumáticos
da história recente. Isso ocorrerá em um ciclo de depoimentos e transmissão que se propõe a pensar sobre estes eventos e suas incidências subjetivas, com a finalidade tanto de interrogar quanto de trazer luz ao tratamento possível do Real pelas vias
do Simbólico. Importante espaço de reflexão para o que vivemos hoje em nosso país e no mundo.
“Acaso não sabemos que nos confins onde a fala se demite começa o âmbito da violência…”

 

Ciclo de Conversas: Trauma, exílios, transmissão
“Estamos na época dos traumatismos”, anuncia Colette Soler em conferência em Medellín, para acentuar o caráter histórico da noção e do feito traumático. De fato, o século XX se inicia sob o impacto da Primeira Grande Guerra no uso nefasto dos saberes oriundos da ciência e da tecnologia que resultaram em milhares de mortos e inválidos, exílios forçados e traumatismos de guerra. Freud soube reconhecer, nos combatentes que retornavam mudos, enfermos e transtornados, a fuga para uma neurose aparentemente nãosexual,
mas circunstancial, a neurose de guerra. Uma neurose traumática a interrogar os analistas sobre seu vínculo com o inconsciente bem como o tratamento possível.
No discurso contemporâneo, a lista das conjunturas traumáticas se multiplica: há os conflitos armados e as guerras, o terrorismo, as
práticas de tortura e violação de direitos humanos, os exílios, a imigração forçada, a violência urbana sobretudo implacável nas zonas periféricas, os acidentes aéreos, os atentados sexuais, as catástrofes tecnológicas e naturais... O tema do traumatismo, tal como é entendido na atualidade, e seus efeitos subjetivos despertam o interesse da comunidade global e fazem convocar de todas as formas possíveis imagens e significantes para fazerem frente ao Real.

Esse ciclo de conversas se propõe a acolher as vozes de algumas vítimas de eventos traumáticos de nossa história recente. A diferença de cada testemunho busca cingir, na repetição de eventos de violência inominável, os traços que visam, além da denúncia, a dimensão da elaboração perante o Real – impossível de dizer. Acolher os ecos é fazer deles mais do que vestígios apontando para a invenção. Da memória à transmissão poderia ser outro nome do que nos propomos nesses encontros.

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Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano • São Paulo