Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano • São Paulo

Fórum do Campo Lacaniano • São Paulo

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FÓRUM EM CAMPO

Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo:

 

20 anos de orientação

   Esses Fóruns encontram sua origem longínqua na dissolução em 1980 da Escola de Lacan, a EFP. Eles são oriundos da corrente que nessa data, na França, optou por uma nova Escola, a Escola da Causa Freudiana. Ela se estendeu em seguida à Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Colômbia, Espanha, Israel, Itália, Venezuela, etc. Após a crise de 1998, os fóruns tentam uma contrapartida. Nascidos de uma oposição ao abuso do Um na psicanálise, eles visam uma alternativa institucional orientada pelos ensinamentos de Sigmund Freud e Jacques Lacan. (CARTA da IF-EPFCL).

   Em 06 de julho de 1999, uma carta assinada por Dominique Fingermann, Ana Laura Prates e Elisabeth Saporiti formalizou, em São Paulo, um desenlace, aquele da cisão de 1998, da Escola Brasileira de Psicanálise. Tratava-se de um movimento dissidente composto por muitos, não apenas as três, que assinalava a articulação do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo com a Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano e com a recém-criada, à época, AFCL.

   Em 2019, o FCL-SP completará 20 anos... de enlaces e desenlaces... itinerante por esse território impossível, a cidade de São Paulo. Há algo desses 20 anos que cada um pode contar: quem conta, aumenta um ponto e ressalta o caráter da história como uma narrativa singular. Mas, também, explicita uma história coletiva. Quem conta a história do FCL-SP conta então sua história de enlace, que é, invariavelmente, singular? Qual seria o nome da história, coletiva, daqueles que ainda persistem nesse enlace?

   Nesses termos, vale ressaltar que os Fóruns têm por finalidade contribuir e assegurar a manutenção do discurso analítico diante dos desafios impostos pelas conjunturas do momento. “... serão especialmente de sua alçada as conexões com as práticas sociais e políticas que se confrontam com os sintomas de nossa época e os laços com outras práxis teóricas (ciências, filosofia, arte, religião, etc.)”, assim estabelece como letra de lei a Carta da IF-EPFCL. Essa fundamental carta também esclarece que os Fóruns não deixam de ser orientados em direção à Escola, pois é dela que tomam o sentido e os frutos do cultivo do discurso analítico.

   Os Fóruns não são Escola, são Campo, como preconizou Lacan no Seminário O avesso da Psicanálise. Contudo, compõem a manutenção dos objetivos de Escola, pois eles visam retornar... retornar à Escola.

   Os Fóruns se orientam à Escola. “Uma Escola é feita para sustentar essa contingência dando-lhe o apoio de uma comunidade animada pela transferência de trabalho. Através das análises, das supervisões, do trabalho pessoal sobre os textos, da elaboração com vários nos cartéis, da experiência de tratamento do passe, essa comunidade se esforça para fazer circular e submeter ao controle o saber que a experiência deposita e sem o qual não há ato analítico” (CARTA da IF-EPFCL).

   Em 2019, o Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo completa, nesses termos, vinte anos de história, duas décadas de memória e muito trabalho de orientação. “Não me perdi graças ao meu senso de orientação”, diria alguém disposto a chegar em algum lugar. Em outras palavras, orientação define-se por determinar os pontos de direção, de intervenção, a partir da função/ posição ocupada por um sujeito. A Carta da IF-EPFCL nos atualiza porque não é estranho que orientação seja uma palavra tão preciosa aos membros de nossa comunidade e, ao mesmo tempo, tão banalizada na sociedade de nossa época.

   Orientação mostra, topologicamente, como a transmissão em psicanálise suprime essa ultrapassada dicotomia entre “velhos” e “jovens”, ao convocar membros de Fórum e membros de Escola para essa responsabilidade de não deixar o ato analítico esmorecer, pelo elemento fundamental dessa forma de laço formalizada por Freud: a palavra. Nesses termos, é preciso salientar o papel das transferências de trabalho: mostram que o inconsciente é o que se lê, e como se lê.

   Memória, orientação e contingência.... Contingências das análises, das supervisões e, por que não, das amizades e experiências de vida compartilhadas. Se falamos de contingência, é porque há algo do acaso que permite esse tipo de laço, algo do incalculável no saber fazer com o dizer singular que fisga aquele que toma lugar como participante e que o conduz para esse encontro com o Fórum e as formações do inconsciente.

   Contar a história do FCL-SP atravessa necessariamente a solidão de cada narrador. Solidão singular que nos remete à Escola: uma aposta, como aquela feita no passe e no cartel, na produção de efeitos nos laços e nos ecos da causa de desejo.

   Se há uma medida do tempo para o FCL-SP, diz respeito à uma questão de Escola: descola, desloca. Trata-se de assumir a solidão intrínseca em fazer e desfazer laços.... Implica descolamento, deslocamento e invenção: corte, espaço e tempo. Inventar um nome para o tempo... O tempo passa.... Nosso tempo se chama orientação!

 

Comissão de História

Ana Laura Prates Pacheco

Cibele Barbará

Leonardo Lopes

Maria Claudia Formigoni